segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Quem é o PMDB?

Quem se coloca como peemedebista nas polêmicas da academia, nos almoços de domingo ou nas mesas de bar? Ninguém sabe, ninguém viu, mas é personagem central de todos os governos democráticos do pós-ditadura.

O PMDB nasceu com MDB em consequência do golpe de 64 -- que não era, logo de cara, um plano de perpetuar uma ditadura militar fascista, mas sim o de criar uma democracia de fachada na qual os elementos populares e comunistas estariam fora do jogo. Aí, teríamos uma democracia de brincadeira, com "conservadores" na Arena e "liberais" no MDB numa possível alternância sem surpresas -- seja para a burguesia brasileira ou para Washington.

É como o Mefisto de Goethe: um agente sedutor e sorrateiro que se move no claro-escuro dos gabinetes, sempre a procura de liquefazer o desejo (aqui, político) em um mero contrato; aí, projetos políticos se tornam mera matéria para o toma-lá-dá-cá nosso de cada dia.

O PMDB serviu como cooptador dos setores de transformação social, ao centro e à esquerda, enquanto atraía líderes conservadores como Sarney e tantos outros, tornando-se um partido-ônibus.


A aliança com Lula é outro capítulo: feita à base da inimizade aguda de Sarney com José Serra, e pelo naufrágio da estratégia petista em comandar um Congresso a partir dos pequenos partidos, ela se aprofunda com Temer sendo imposto vice de Dilma em 2010 para, afinal de contas, tomar proporções gigantescas. O PT, que preferiu se distanciar das suas bases sociais, seu grande diferencial, ao longo de sua estadia no poder federal, terminou enredado pelo maior dispositivo quando da opção gerencial-burocrática de Dilma no poder.

Mas isso não é o mesmo que derrotar apenas um partido, uma cultura política que giraria em torno dele, mas uma concepção de política baseada na ausência das pessoas comuns, na prevalência do funcionamento do sistema -- político, econômico etc -- sobre o desejo delas e na crença de um evolucionismo civilizador implacável e no culto ao poder constituído -- no lugar da luta pela constituição de direitos.

As jornadas de Junho seriam, na verdade, revoltas "antipeemedebistas".


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Leia o texto do blog "O Descurvo" na íntegra:
"Um País em Protesto: PMD(epedência do)B(rasil)"

domingo, 26 de janeiro de 2014

O dia "D" (Eduardo Paes) na janela do meu carro

(ou "Sobre estabilidade emocional e paranóia...")

"Primeiro, o prefeito desta cidade, dita maravilhosa, se envolve numa briga de bar com um músico que é da paz. Deu-lhe um soco na cara...
Depois, este mesmo prefeito, manda "pessoalmente" uma amiga parar o seu carro de som que estava tocando uma música de protesto contra ele e já aborda o carro dela com o celular ligado e vai gravando a cara dela, com o nítido intuito de intimidar..."


"Era 25 de Janeiro de 2014, sábado de sol , as 11h 29 minutos, na Avenida Rodrigues Alves , região portuária da cidade do Rio de Janeiro, embaixo da perimetral, antes de entrar na via binário, eu e meu acompanhante fazíamos o percurso em direção a Avenida Brasil tranquilamente, quando de repente, abruptamente, fomos interrompidos no nosso trajeto por um carro Toyota Prata placa KPP 8744 .

De dentro do Toyota prata , alguém gritava da janela do carro para nós:

-Encosta aí !!!!!!!!!!

-Pára aí o carro !!!!!!!!!!!!!

-Vamos conversar !

#Tomados pela surpresa, nada respondemos .

#Não paramos nosso carro de imediato.

#Emparelhado pelo Toyota prata ,observamos logo após um carro preto na traseira e mais atrás uma motocicleta .

#Percebendo que nao tinha como prosseguir ,estacionamos nosso carro à direita do Cais do Porto , lugar ermo sem presença humana quando fomos obrigados a estacionar e parar nosso trajeto..

#Ficamos dentro do nosso carro.

#Liguei para um amigo imediatamente.

#Aparece o prefeito em carne e osso! e digo-lhe : fala Paes! O que é que está rolando?

#Então o alcaide Eduardo Paes chegando até a janela do nosso carro mostoru um celular.

#Meu acompanhante grita : Ai meu Deus !!!!!

#Eduardo Paes ri, acomoda seus cotovelos sobre a janela do carro continua a filmagem pelo interior do nosso veiculo fazendo paralelamente sucessivas perguntas repetidas :

#Quem te contratou ?
#Quem te contratou? (santa inquisição pensei)

#Meu amigo atende a ligação telefônica e comunico que Eduardo Paes está na janela do meu carro fazendo perguntas a mim .

# Ele não acredita de pronto !

#Daí o alcaide passa a andar ao redor do carro com o celular na mão filma além do interior do carro , o lado de fora do nosso veículo mais adesivos com frases.

#Quem te contratou pergunta o prefeito de novo?
#Voce é da Suipa?

#Respondo: sou protetora de animais

#E, eu respondo : Fala Paes o que é que está acontecendo ?#Saio do carro.

Paes pergunta: #Quem te contratou pra colocar esse carro som ae ? Com quem vc tava falando ae?

Respondo: # O que vc quer saber? Sou uma cidada !Tem nada contratado aqui não!
Voce vem me perguntar isto enquanto está cheio de segurança ao seu redor ??? Eu é que nao estou entendendo???????

#Na grata surpresa meu amigo acompanha o decorrer da conversa.

#Sinto-me totalmente constrangida .

#Não sei se estou sendo filmada pelos seguranças do Eduardo Paes.

#Meu acompanhante em pÂnico encontra-se nervosa.

Enquanto estou na linha com meu amigo.Passo os nÚmeros das placas dos carros ,então ele passa a acreditar no que estou falando.
Alerto ao segurança para não esconder o rosto dentro do carro.Tento ver quantos são.

Daí digo :Fala Paes, Sou contribuinte, pago imposto na cidade , tenho direito a expressao , o que vocês e seu grupo do PMDB estão fazendo na cidade é brincadeira Paes ! Voces pela Guarda Municipal , as remoções , o Cabral , a Policia Militar é abominável! Voces suprimiram qualquer voz !
Voces sufocaram qualquer possibilidade de voz pela parte do povo.

#E ele diz: - Quero que vc vá ao meu gabinete , conversar comigo.Tem o meu telefone ..49894444 - um tal de Messias repassa.

#Digo : vc tá maluco ! Vc acha que nós vamos ao seu gabinete ?

#Quero que anote meu celular pode entra em contato direto.

#Ah tá , han han han han ! digo. Por favor vou fotografar para que as pessoas nao pensem que estou contando historias. Obrigado.

E daí eles se afastaram e seguiram caminho.

Volto para o carro . Olho pro meu acompanhante , respiro e ligo o carro.

Gente, na boa mesmo, eu estou começando a ficar muito desconfiada da sanidade mental do Eduardo Paes. Ou pelo menos desacreditando TOTALMENTE na sua capacidade de ser um gestor equilibrado e/ou confiável.

#impeachment #vazagato



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(via Luisa Maranhao e Paula Kossatz)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Atenção, moradores de Brasília: o espaço público é público!

Não é piada, não. O título acima é um lembrete sério, apesar de óbvio, para uma parte dos moradores de Brasília que enxerga o espaço público como bem particular. Ou melhor, como um espaço destinado ao público sim, mas a um público restrito e, de preferência, com o mesmo gosto musical e os mesmos hábitos que eles.

Se você prestar atenção, vai ver em volta um movimento crescente de intolerância entre vizinhos. São os moradores que proíbem o uso de parquinhos por crianças de outros prédios, são os que não acham graça da alegria alheia no carnaval, os que querem acabar com as quadras de esportes para evitar barulho de jogo à noite. Afinal, moramos em uma fazenda, em um retiro espiritual de silêncio, né. Barulho é coisa de cidade, e isso a gente não aprendeu ainda o que é.

A mais recente discussão sobre o uso do espaço público saiu do Lago Norte. Mais especificamente da Associação dos Proprietários e Moradores da Orla do Lago Norte, um grupo que reúne mais de 2 mil pessoas, segundo seu presidente, Benedito Antônio de Sousa. Vamos à pauta de reivindicações da associação, que está em plena campanha e se reuniu com representantes de vários órgãos do GDF na semana passada:


- Proibição de eventos no Calçadão da Asa Norte;
- Cercamento do Calçadão e disciplinamento do seu uso, nos moldes do Parque Olhos d’Água;
- Exigência de “confinamento do som” a ambiente com tratamento acústico no Setor de Clubes Norte, UnB e adjacências, limitando os níveis de som ao estipulado na Lei Distrital 4.092/2008 (Lei do Silêncio);
- Instalação de posto policial no Calçadão da Asa Norte.

 
Médico de 56 anos, Benedito de Sousa critica eventos como o Deguste e o Picnik – “Eles instalam palco musical para Rock in Rio ficar com inveja” – e afirma que está havendo uma confusão sobre o verdadeiro fim do Calçadão, inaugurado em 2011. “Nós não queremos proibir, mas o local não foi feito para eventos. É um local de contemplação da natureza”, diz ele, que já foi à delegacia quatro vezes registrar queixa contra festas no Calçadão e no Setor de Clubes Norte – setor cuja finalidade é justamente a diversão.

Benedito explica seu ponto de vista: “A ideia de Lúcio Costa da liberdade, do trânsito livre, do ambiente bucólico, como dizem os urbanistas, é maravilhosa. Só que isso foi há 50 anos. Hoje, os casos como Ana Lídia são quase diários. Tivemos mais de 600 assassinatos no DF ano passado. Nós vivemos um outro tempo.” A segurança pública entra aqui como argumento, mas é bom lembrar que os eventos no Calçadão nunca registraram qualquer incidente violento.

Eu entendo a irritação do Benedito e dos seus 2 mil associados. Até porque ando me sentindo velha – faz um tempo que a vida noturna me dá mais preguiça do que propaganda política. Ter o sono perturbado por barulho alto não é maravilhoso, claro que não é. Agora, espera aí. Solucionar possíveis excessos com a proibição, com o cercamento da área pública?

Não me canso de dizer que a orla do Lago é um dos espaços mais lindos de Brasília e um dos mais subutilizados. O governo nunca se preocupou, de fato, em abrir acesso a essa área para os 99,9% da população que não têm dinheiro para comprar uma casa milionária à beira do Paranoá. Pelo contrário: o que se vê são tentativas de lotear a orla para mais condomínios residenciais disfarçados de hotéis. Para um cartão-postal com o tamanho do Lago, o número de opções de lazer gratuito chega a ser deprimente. Transporte público então, nem pensar.

Quando, em uma rara iniciativa, o governo concede infraestrutura mínima de diversão pública na orla, os moradores incomodados com o barulho acreditam que a solução não é mitigar os problemas, não é negociar formas de reduzir os excessos, se eles existirem: é proibir, fechar, cercar. Acho que precisamos aprender, do zero, a viver em comunidade. Para isso, é preciso, de um lado, reconhecer e corrigir os problemas. Do outro, acordar do sonho em que vivemos naquela fazenda, naquele retiro espiritual, e perceber que, sim, moramos numa cidade. E que ela não é só sua.

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via Dani Cronemberger

A reação da internet ao vídeo do Batman do Leblon

Sem Helena nem Manoel Carlos, o Leblon brilha na internet esta semana. O bairro da zona sul carioca foi cenário para um dos encontros mais inusitados da história da web brasileira, talvez do nosso audiovisual inteiro: entre o cineasta Rodolfo Brandão, uma fotógrafa auto-declarada de direita, um francês e o Batman.

Ou melhor: um manifestante vestido de Batman — o dentista protético Eron Morais de Melo, que se fantasia como o super-herói da DC desde os protestos de junho (ele foi até preso ano passado).

O resultado disso tudo, claro, é uma bagunça. Se ainda não viu, não perca tempo:



A internet também não perdeu tempo e já nos brindou com alguns belos memes e tuítes:

Fellini e Glauber não imaginariam um filme como o do Batman do Leblon. Isso é PURO OURO jorrando da internet. — André Dahmer (@malvados) January 22, 2014



essa discussão dos moradores do leblon com o batman é o que eu chamo de FACEBOOK AO VIVO — Ricardo Coimbra (@coimbraricardo) January 22, 2014



Se vc assistir o vídeo do Batman do Leblon com cuidado vai descobrir 5 novos tipos de orientação política
— Pedro H. (@PedroHPadilha) January 22, 2014




esse vídeo do batman do leblon é um PRÉ-SAL de memes, galera — Ricardo Coimbra (@coimbraricardo) January 22, 2014



O vídeo do Batman no Leblon confirma: vivemos a Era da Zoeira — davidbutter (@davidbutter) January 22, 2014



Esse vídeo do Batman no Leblon parece um curta surrealista https://t.co/zoF1Qgy0ok — Mateus Alves (@mattidioteque) January 22, 2014



o batman do leblon não é o herói que a internet precisa mas é o herói que a internet merece. — Vinícius Perez (@chinisalada) January 22, 2014



Essa mulher do vídeo do Batman do Leblon é a personificação dos comentaristas de portais. Cheia de frases raivosas soltas. — LeLesQui (@alesqui) January 22, 2014


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via YouPIX

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"apoio manifestações, mas não apoio baderna", disse o extra-terrestre

O que você faz se lhe tacam spray de pimenta na cara, sem nenhum motivo, nem explicação, por puro vandalismo policial? Chama a polícia? Cobre o rosto com o primeiro tecido que encontra e se mascara? Protege senhoras e crianças? Tudo isso e o que mais puder, certo?

(Via Mariana Santos)

Se a Constituição Federal nos garante o direito de ir e vir, de participar da vida democrática, ter acesso aos debates do Estado e ajudar a escolher os melhores investimentos para os nossos impostos, o crime anda rolando solto no Rio de Janeiro, certo? 


A administração imoral dos governos Sérgio Cabral e Eduardo Paes se baseia no desmantelamento das instituições democráticas, sucateamento dos serviços públicos, especulação imobiliária e violência militar. Tudo orquestrado por um grande sistema de especulação financeira, certo? 



(via Antiblog de Criminologia)

Então por que você insiste em repetir o mantra "apoio manifestações, mas não apoio baderna" se é tão claro que é a Policia Militar que está violentando uma cidade inteira a mando de uma máfia de políticos milicianos do pior escrúpulo? Se é tao claro que esses jovens estão se defendendo da violência policial, reivindicando a democracia roubada e denunciando o coração dessa máfia especulativa? 




O TJ-RJ já suspendeu o plano de carreira de professores municipais, Luiz Fux também suspendeu o corte de ponto de professores grevistas do Rio, até Britney se manifesta politicamente, e só você e a Dilma não entenderam que não tem mais William Bonner que disfarce a urgência do impeachment da dupla Paes-Cabral por improbidade administrativa. 




A Rede Globo é seu único meio de informação?
Não há dignidade jornalística, mas são mesmo bons de ficção. 

Prefira as novelas.


Leia também:

sábado, 7 de setembro de 2013

[7deSetembro] BlackBlocs devolvem política ao RJ

(via Latuff)


"Multidão é a besta feroz, 
é a desordem, é caótico, desorganizado, 
é o sem nome, sem líder. 
é a bolha assassina que pode devorar 
aqueles que não podem viver sem a superstição do um.

É a multiplicidade do todo, é o todo sem um,
os corpos singulares e coletivos
que se compõe e recompõe, 
encontrando e desencontrando,
empoderando e potencializando.

De repente a Multidão não aceitou mais os seus nomes, lugares e formas de expressão oficiais. Uma parte do todo que se recusa a ser o todo. Eu sou a plébe! Eu tenho nome! Eu tenho deuses! Tenho territórios próprios, e vou estabelecer as minhas próprias leis!

Recusa os lugares e as formas que o consenso conservador, pelo alto, estabelece como legitimo de expressão política no território da cidade, mas permite, com isso, ao mesmo tempo, que um sentimento maior que levou milhares de pessoas para a rua continue. 

São condição da possibilidade.  

O que há de insuportável com a Multidão? 
O poder não pode dar os nomes;
Não podem saber quem são e o que necessitam, 
e portanto, como podem ser cooptados.

LEVEM-ME AO SEU LIDER!
Não há líder. Não há quem comprar, Não há quem nomear, pra aplacar, pra resolver, pra comandar. É horizontal, é coletivo, inventa suas próprias práticas, se dá os seus próprios nomes. 

Esses meninos descobriram que no asfalto podem acertar as contas com o capitão-do-mato, usando a mesma linguagem brutal que a sociedade lhes ensinou, e voltar pra casa vivos. Afirmam o direito de ser o que são, menos aquilo que a Polícia quer que eles se tornem: Policia ou Bandido.

O Rio de Janeiro voltou a ser colocado no centro do tabuleiro político do país não por obra obra e graça dos seus estadistas, porque não os tem, mas por obras desses meninos que estão apanhando na rua".


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via Adriano Pilatti no Seminário Internacional CoPesquisa: História e Multidão

[7 de Setembro] Diálogo do TENENTE CORONEL BUSNELO e o pai de um manifestante detido


- Eu quero me identificar, sou professor da UFRJ e meu filho esta detido. Quero saber qual a acusação?


- O SENHOR ESTA ME DANDO UMA CARTEIRADA? EU QUE ESTOU NUM SÁBADO CUMPRINDO HUMILDEMENTE MEU TRABALHO PARA DEFENDER A SOCIEDADE.

- hahahahha (claque contida dos presentes)

- Não. queremos saber o motivo. Qual a acusação? Qual a alegação?

- ISSO VOCÊS SABERÃO DEPOIS QUE ELES FOREM JULGADOS.

- Como assim? Julgados de que? Isso é ilegal!

- VOCÊS ESTÃO ME DESACATANDO. SE A SENHORA INSISTIR VAI SER PIOR PRA SENHORA!



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 Transmitido ao vivo via http://twitcasting.tv/olhodarua1