terça-feira, 8 de julho de 2014

Não assisti nenhum jogo da Copa!

Foi o meu modo, mesmo que simbólico e insignificante de protestar contra ela: A Copa das injustiças! Pra mim não teve Copa por opção, mas inúmeras pessoas não tiveram a escolha de serem indiferentes, simplesmente tiveram suas vidas devastadas por ela e ponto. Não ser a favor e não assistir aos jogos foi só um posicionamento, não significa que eu não goste de futebol, que eu seja menos brasileira ou que eu torça contra a seleção, como algumas pessoas insistiam em dizer. Pessoas que repetiam fervorosamente o quanto eram brasileiras com muito orgulho e com muito amor. Mas bastou o jogo desdobrar numa derrota para o Brasil, para as vozes fervorosas fazerem um novo coro, espraguejando e repetindo o quanto o Brasil é um País de merda! O Patriotismo foi embora com a possibilidade do hexa, é isso?

(via Valéria Amorim)

Imagino o quanto essa galera deve ter se sentindo impotente na frente da televisão vendo o Brasil perder de goleada.


Mas garanto que não se sentiram mais impotentes que a Dona Maria Grinaura, uma senhora de 89 anos, que morava na Comunidade do Coque, em Recife. Ela teve que sair da casa que morou a vida inteira, ficou sem ter pra onde ir, deram 24 horas para ela arrumar um lugar para morar e pagaram R$ 4 mil pelo imóvel dela. Ela foi uma das muitas pessoas que perderam suas casas com as remoções geradas pela Copa. Remoções desumanas, sem nenhum debate prévio, sempre acompanhadas da violência de uma polícia nojenta, asquerosa e truculenta.



A maior parte das famílias removidas não foram indenizadas, não receberam nenhuma quantia em dinheiro que garantisse o acesso a uma nova casa. Quem consegue comprar um imóvel com R$ 4 mil? Me diz? Todas essas remoções aconteceram em função das obras da Copa! Grande parte dessas obras nem ficaram prontas a tempo, algumas nem sequer foram iniciadas. Talvez tenha sido melhor assim, já que grande parte das obras, além de terem sido superfaturadas foram feitas de forma questionável, colocando a vida de inúmeras pessoas em risco. Como aconteceu recentemente com o Viaduto da Pampulha, em Belo Horizonte. O Viaduto fazia parte do projeto de mobilidade da Copa em MG e desabou em cima de um ônibus, causando uma verdadeira tragédia.

(via Coletivo Mariachi)

E as tragédias geradas pelos incêndios criminosos que devastaram as favelas por puro interesse das empresas, pura especulação imobiliária? Favelado, pobre, morador de rua? Não, na Copa do Brasil não tem lugar pra favelado, nem pobre, muito menos moradores de rua!

(via BBC Brasil)

Levaram vários moradores de rua de forma compulsória para abrigos que já foram denunciados várias vezes, verdadeiros depósitos humanos. Houve um boato de que estavam exportando moradores de rua das cidades Sede para cidades mais afastadas, menos visadas pelos turistas.


Higienização e pacificação foram as palavras de ordem para os morros, pra deixar tudo arrumado pra turista ver! Eis o legado da Copa nos morros: A imensidão de vítimas deixadas pelas UPP’s. Um policiamento que mata e marginaliza cada vez mais pretos e pobres. Quantas pessoas morreram nas periferias? O sumiço de quantos Amarildos não chegou ao nosso conhecimento? A morte de quantas Cláudias?

(via Anistia Internacional)

O barulho dos fogos do asfalto não abafam os tiros no Morro.. Tá tendo Copa mesmo! Tá tendo também violência contra a mulher que vem junto com o turismo sexual, tá tendo exploração sexual infantil, tá tendo repressão, tá tendo hipocrisia também!


Muita cara de pau colocarem a figura de um índio alegre e saltitante na Cerimônia de abertura da Copa, depois da polícia invadir a Aldeia Maracanã de forma extremamente violenta para remover os índios na base da pancada, da bala de borracha, do spray de pimenta, das bombas de gás. Não pouparam ninguém! Tudo isso só para realizarem obras de reforma e ampliação do Maracanã.  

Por falar em Estádio... E os trabalhadores que morreram durante as obras desses estádios por conta das péssimas condições de trabalho?

(via Sociedade Sem Prisões)

Ninguém cansa de repetir "Pobre menino Neymar, fraturou a Coluna!" Um dos trabalhadores que morreu durante as obras do Itaquerão tinha só 23 anos, até onde eu sei, ele nem foi lembrado na cerimônia de abertura, era um menino também, pra ele não teve Copa mesmo!

(via Jornal O Badernista)

Realmente, foi a Copa das Copas! A Copa das prisões arbitrárias, das provas forjadas, do abuso de poder, do uso desmedido de violência policial, da criminalização dos movimentos sociais.

(via Coletivo Desentorpecendo A Razão)

E eu ainda tenho que ouvir de uma pá de gente, que eu tenho que torcer pela Seleção Brasileira, que é o meu país! Meu país? Meu país ainda possui presos políticos, cara! A Copa começou há 28 dias, há 16 deles o Fabio Heideki está preso, prisão injusta e arbitrária.

(via Seja Um Manifestante e Fique Rico)

A Copa vai acabar... Pode ser que o Fábio continue preso injustamente, a Dona Maria vai continuar sem casa, a família do Amarildo vai continuar sem Amarildo... Eu continuo a me perguntar: Copa pra quem?

Me dá arrepios só de pensar que ainda teremos Olimpíadas!


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(Via Thiara Pagan)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Vaias pra Dilma: quem abafa também tem sangue de manifestante nas mãos



O governismo e o anti-governismo (GloebelsNews) propagam esse video (eu vi essas imagens de longe, acompanhando o streaming, ñ dava para ouvir a conversa). O fato de o governismo PT e o ant-governismo escravagista acharem graça nesse video e no que ele nos mostra, me parece ser uma grande demonstração da estupidez dos dois e, particularmente, da enrascada onde se meteu e continua se metendo o PT (e a Dilma).


O que o video nos mostra?

1) que os tais de mascarados são garotos que querem mudar, querem "fazer sua parte". O garoto é super gentil com seu pai. Ele implora para que ele o deixe fazer isso: ou seja mudar essa merda de pais e de mundo.

2) que os outros mascarados ñ se meteram, deixaram a conversa rolar (logo depois desse episódio, assisti no streaming a PM atacar em força e recuar correndo dianet da resistência daqueles garotos)

3) o jovem (o "filho") defende o ponto de vista de sua potência, da vida, daqueles que mudam. Sua potência ñ tem nada de arrogante. É o contrário do poder que rondava assassino nos arredores.


4) O Pai justamente defendia essa vida: começou com um moralismo ("ñ te criei para isso") e foi dizendo que ñ era o momento, que cada coisa tem seu momento, passo a passo: o Pai tinha o ponto de vista.... do pai, de saber que seriam massacrados, de saber o que é o poder... e já ter perdido a ilusão de poder mudá-lo

5) Enquanto isso, a Dilma, único político que foi ao Estádio, era vaiada e xingada pela elite escravigista de São Paulo, a mesma que aplaudia a PM quando massacrava manifestantes e jornalistas, inclusive estrangeiros. 


O PT e o governismo podem chorar e até achar que o Juiz Japonês salvou a situação. Mas devem se tocar. Quem está do lado errado, são eles e ñ esse garoto. O PT deveria pelo menos ter a coragem desse pai, e ir nas ruas proteger a democracia, ou seja dar espaço a essa geração que quer mudar pra valer.

Essa geração veio para mudar.
É muito maior do que chega a ir nas ruas.
Ela está lá nas favelas e nas periferias.
Querendo pular fora da armadilha do poder (a guerra contra os pobres).


Se o PT ñ se tocar, vai msm se tornar irrelevante.


(via Giuseppe Cocco)


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Debulhando a Dilmagogia




Ontem em seu pronunciamento antes da Copa do Mundo a Dilma Roussef falou algumas verdades e trouxe questões pertinentes sobre a nossa redistribuição de renda e desenvolvimento do país, bem como sobre algumas obras que fica no Brasil após a Copa, pelo menos nas 12 cidades sede da Copa. Não é uma crítica a ela ou ao PT, mas há um governo com uma coalizão ampla de partidos e interesses, desde o PMDB até o PP.

Mas tem uma série de coisas que na boa a nossa “Dilminha – soberana das Américas- jaguatirica do cerrado” está mal assessorada, ou mal informada ou com uma visão um pouco bastante distorcida e distanciada da realidade:

“Para o Brasil sediar a Copa do Mundo é motivo de satisfação, alegria e orgulho”

Será?
http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Dossie-da-copa-2014.pdf
http://www.ihrb.org/pdf/2013-10-21_IHRB_Mega-Sporting-Events-Paper_Web.pdf
http://www.apublica.org/wp-content/uploads/2012/01/DossieViolacoesCopa.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=fZhLQ711RwM
http://vimeo.com/97448146
https://www.youtube.com/watch?v=JI775teDQRU
https://www.youtube.com/watch?v=fik1mximZ6o
https://www.youtube.com/watch?v=FeTYedZWOIA

“A copa pela paz e contra o racismo”

“Contra todas as formas de violência e preconceito”


“A copa da tolerância e do diálogo e do entendimento”

“Quem chega irá se impressionar com um povo alegre [...]”

“Um sistema de segurança capaz de proteger a todos [...]”


Será?
http://www.youtube.com/watch?v=Bx7BQkdGPro&feature=youtu.be
https://www.facebook.com/photo.php?v=1428514557416562
http://rebaixada.org/no-h-reforma-possvel-para-a-pm-que-atua-como-guarda-da-propriedade-de-escra/
https://www.youtube.com/watch?v=VH3gigSO8xk
https://www.youtube.com/watch?v=WA4XOwQgFYY
https://www.youtube.com/watch?v=mRT3hylUEQA
https://www.youtube.com/watch?v=bdDHsyx-1hc&list=PLDA1951A985600538

 “Líderes na produção mundial nos setores industrial e do agronegócio”

Como é essa história?
http://www.revistaforum.com.br/digital/148/esse-ufanismo-de-que-o-brasil-e-o-celeiro-mundo-e-uma-falacia/
http://www.mst.org.br/node/15414
http://www.social.org.br/relatorios/relatorio002.htm
http://www.auditoriacidada.org.br/

“Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos com as manifestações populares e reivindicações [...] instituições que nos respaldam tanto, para garantir a liberdade de manifestação, tanto para coibir excessos e radicalidades de qualquer espécie”

Será?
http://www.artigo19.org/protestos/
http://advogadosativistas.com/como-funciona-a-repressao-no-mundo-a-6-dias-antes-da-copa-prepare-se/
http://artigo19.org/wp-content/uploads/2014/04/RELATORIO-GRAVES-VIOLA%C3%87%C3%95ES-FINAL-VERS%C3%83O-INTERNET.pdf
https://www.facebook.com/photo.php?v=782726925085352
http://forum.jogos.uol.com.br/em-protesto-contra-a-copa-indios-atiram-flechas-contra-policiais-durante-tour-da-taca-its-true_t_3052268
http://agenciapulsar.org/brasil2013/mais/politica/brasil-mais/anistia-internacional-pede-respeito-a-manifestacao-pacifica-na-copa/
http://issuu.com/anistiabrasil/docs/ai_br_campaign_digest_19_005_2014_f
http://www.sul21.com.br/jornal/bar-que-e-ponto-de-encontro-de-jovens-nas-tercas-feiras-e-interditado-pela-smic/
http://www.camaraempauta.com.br/portal/artigo/ver/id/6172/nome/Balaio_Cafe_e_interditado__e_Jean_Wyllys_lanca_livro_na_calcada_do_cafe_mais_famoso_de_Brasilia

[...] a seleção representa a nacionalidade, está acima de governos, partidos e interesses de qualquer grupo”

Será?
http://blogdojuca.uol.com.br/2014/05/exclusivo-o-primeiro-capitulo-de-o-lado-sujo-do-futebol/
http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/06/teixeira-e-havelange-os-office-boys-dos-patrocinadores/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/um-jogo-sujo-para-entender-a-fifa-e-o-futebol-e-preciso-ler-o-novo-livro-de-andrew-jennings/
http://espn.uol.com.br/noticia/414100_maracana-gasta-milhoes-com-amigos-de-governador-e-cartolas



(via FritandoCoxinhas)

Copa da Fifa é a celebração da Ditadura

Havia um tempo onde as pessoas eram capturadas pela polícia e levadas para lugar inacessível e escondido da população, para toda sorte de arbitrariedade. Nesse tempo, os advogados não tinham suas prerrogativas respeitadas, seus clientes não tinham portanto acesso a defesa e muitos operadores do direito eram enquadrados como terroristas por tentar oferecer defesa aos acusados.


Nesses tempos também, os "crimes de opinião" eram os mais raivosamente perseguidos. A posse de livros críticos era, assim como na caça às bruxas da inquisição, motivo para prisões e acusações formais. Livros acadêmicos, teóricos, mas que contestavam o regime. E todas as arbitrariedades eram feitas impunemente. Quem ousasse denunciar ou testemunhar contra, era prontamente inserido no radar ditatorial.

Havia esse tempo, onde se invadia a casa das pessoas, recolhia-se suas cartas, seus livros, seus documentos, fotos e até familiares que testemunhassem e levavam todos, tudo isso amparado pela lei, hoje tida como aberrante!

Hoje, a casa de 4 ativistas foi invadida pela polícia civil, estes foram detidos em curso de uma investigação sobre atividades comunicacionais (afinal. Delegacia de crimes da internet), levados para um lugar chamado "cidade da polícia", onde imprensa não entra, manifestante não se aproxima e advogado não tem as prerrogativas garantidas. Esta delegacia (DRCI) é a mesma que deteve dois menores de idade ano passado e levou como provas livros comunistas e anarquistas, além de uma faca (atenção, se vc tem uma faca em casa, prepare-se pra ser preso).


O delegado a frente da operação, o mesmo que tentou de todas as formas acusar a mulher de Amarildo de ser traficante e de estar mentindo. A punição por isso foi ser promovido pra DRCI. Não obstante, entre os ativistas presos, uma advogada, pertencente à comissão de defesa dos animais, integrante da defesa dos direitos humanos e militante na defesa dos manifestantes presos, com a prestação de assistência jurídica a estes. Uma esposa de um dos ativistas também foi levada. E mais absurdo ainda: um dos presos era justamente uma testemunha numa audiência hoje contra policiais que haviam forjado prisões falsas em 2013. Ou seja, quem denuncia continua sendo "eliminado", ou ao menos perseguido e impedido de reivindicar justiça para si e para a sociedade.

E isso tudo "dentro da lei", na democracia. Isso está sendo agora, hoje, meus caros. É preciso uma resposta urgente e firme da sociedade. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com a leniencia do Judiciário do Rio, à mando do executivo estadual, está afrontando o Estado Democrático de Direito construído em anos de luta. É necessário um posicionamento nacional também!

P.S.: é preciso apurar isso que está acontecendo, eu estou lendo estas informações em várias páginas e rememorando vários casos do ano passado, pois até manifestações do pensamento como esta estão servindo de motivo para investigações e pedidos de prisão. A democracia corre aqui sério risco.


Ao que tudo indica, dos dezessete mandados seis teriam relação com a denúncia de Aécio Neves e os outros onze são política preventiva de intimidação à ativistas e críticos do governo Cabral. Há também vingança contra aqueles que prestaram assistência aos detidos nas prisões ilegais em massa efetuadas no Rio de Janeiro, e veem enfrentando as arbitrariedade e os ataques ao Estado de Direito promovidos pelo próprio poder público. Como é o caso da advogada ativista Eloisa Samy que nos garante presença no ato convocado para às 10 horas, amanhã, na Candelária. “Estarei nas ruas, não tem arrego”, diz Eloisa. 

O pacto que une o Senador Aécio Neves ao governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, já mostra sua cara nas vésperas da Copa. O Aezão da censura e da intimidação é também certeza de criminalização dos movimentos sociais e da instauração de uma caça às bruxas para o que consideram ‘delitos de opinião'. O cardápio inclui intimidação dos críticos, conivência da Justiça e todo obscurantismo kafkiano que mora sob o rótulo deste tipo de ‘sigilo’ dos bastidores da máfia que une políticos e empresários.

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terça-feira, 6 de maio de 2014

Lula era “nós”; Dilma é “eles”

No momento em que as pesquisas eleitorais começam a detectar a queda nas intenções de voto para a reeleição da presidente Dilma, apontando para um possível segundo turno, o Encontro Nacional do PT, na sexta-feira passada, apontou claramente... como piorar as coisas para o partido. A ordem é combinar o endurecimento do discurso com a liberação de “bondades” econômicas e políticas. Segundo o presidente do PT, Rui Falcão, agora é “nós contra eles”. “Nós” quem, cara pálida? Como se o Fla-Flu imbecil entre PT e PSDB já não tivesse levado o país ao enjoo e ao tédio político absolutos. 


Dilma, que é mulher, deveria dominar essa sutileza: a da insatisfação yin, feminina. O Brasil é como uma esposa aporrinhada, e a Presidente e seu governo (por ironia, uma mulher) é como um marido arrogante-defensivo que só sabe responder reafirmando infinita e continuamente os seus acertos – ou melhor, os da gestão passada, de Lula. Mas não produz jamais aquela centelha de reconquista da confiança, de que “pode dar certo de novo”. O clima que vai prevalecendo é de que esse relacionamento tem que acabar. As investidas da Presidente na TV, com um tom de voz e um gestual absolutamente falsos e constrangedores (esse tipo de estupidez que só funciona na cabeça de um marqueteiro do século passado) só agravam o clima de “a fila anda”.

O engraçado é que Dilma já teve a faca e o queijo na mão. Durante um tempo, em que os ministros corruptos caiam à sua volta sem que ela movesse uma palha política, o arquétipo que Lula parece ter enxergado nela funcionou bem: o da matriarca severa, moralizadora.

Lula foi sagaz em fazer seguir o seu próprio arquétipo sessentista (o do operário industrial em busca do poder social) por um arquétipo setentista, o de Dilma. A eleição de Lula era como que se o país se reengatasse com seu destino adiado pelo golpe militar de 1964. E Dilma era a imagem da mulher reinventada, a feminista que deixava o lar para entrar na política, até mesmo para substituir na luta os homens que haviam tombado.



A esperança no início do governo era que a excessiva (cof, cof) flexibilidade moral de Lula fosse compensada por essa matriarca brava, que ia acabar por botar ordem na casa. Num certo sentido, o governo de Lula foi mágico: depois do autoritarismo da ditadura, e de uma série de presidentes mais ou menos erráticos, Lula era a volta do “pai benévolo”, reconstituindo a autoridade patriarcal num nível mais ameno e aceitável. Talvez mesmo o despreparo intelectual do presidente concorresse para essa percepção positiva, visto que a educação superior no Brasil sempre esteve ligada à formação de uma elite esnobe e predadora.

Mas Dilma acabou por representar tudo que não é “mulher”, que não é intuição. Que é “homem”, no sentido mais burro e teimoso do termo: a submissão à lógica econômica, a crença paranóica e defensiva na “governabilidade” levando aos acordos mais oportunistas e distantes dos princípios. A ruptura com todas as expectativas positivas, tanto à direita quanto à esquerda.

via Intervozes

A direita nunca teve a obrigação política de sustentar o governo, por mais que se fizessem (e façam) concessões ideologicamente vergonhosas a setores como o agronegócio e a bancada evangélica. A esquerda se sente traída, quanto mais essas concessões (sempre em nome da governabilidade) aumentam. Os problemas que jamais cairiam na conta do governo federal, sob Lula, caem fácil no colo de Dilma – mesmo que ela tenha pouco ou nada a ver com isso. Porque Lula era “nós” para a maioria dos eleitores; Dilma começa a se tornar “eles” numa escala irreversível.


Quanto às bondades, não só elas não fazem muito sentido e não convencem, como às vezes funcionam ao contrário. Vejamos por exemplo a presença do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, na Parada Gay, no domingo (ontem). Ora, é o mesmo Padilha dirigiu o Ministério da Saúde que vetou campanhas de prevenção a DSTs, por pressão religiosa. E, como explicou meu amigo Todd Tomorrow, “não fez o suficiente também pra influenciar em momentos chave por um Plano Nacional de Educação inclusivo. Só deu na cabeça dos LGBTs”. Mas agora o governo, além de dar dinheiro para as paradas, anunciou as mesmas campanhas que tinha vetado. Tarde demais. Padilha é inimigo. A direita também acha. Padilha é inimigo... de todo mundo. Parece que até Lula já está errando na indicação de candidatos viáveis.

Para sorte do PT, o seu inimigo “natural”, o PSDB, não parece ir muito melhor nos truques. A última dos gênios estratégicos do partido é a tentativa de costurar uma vice presidência para Serra. Isso atende só aos interesses intestinos do PSDB: conciliaria, desta vez, as correntes internas, tão acostumadas a puxar o tapete umas das outras.

Mas não parece considerar o estupendo grau de rejeição nacional do “undead” Serra, o morto-vivo que não permite que o filme acabe sem ressurgir mais uma vez com sua obsessão pela Presidência (aliás Aécio que se cuide contra acidentes, na eventualidade de ser eleito). E faz o roteiro se parecer com um misto de trama de máfia e história de terror.

E assim, correndo por fora, Eduardo Campos se cacifa mais e mais para lá na frente converter a rejeição dos outros em votos para si. Sua vice indicada, Marina Silva, cometeu um erro gravíssimo no ano passado, que impede que ela hoje esteja com um partido registrado e candidatura própria. Bastaria, na “janela política” entre a luta contra Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e as jornadas de junho, Marina ter chamado uma coletiva para se colocar em defesa do estado laico e (um pouquinho que fosse) pelas liberdades individuais.

Sequestraria para si o noticiário durante um bom tempo, e impulsionaria a campanha de assinaturas pelo registro do partido. Teria sido fácil, sendo a única presença política positiva naquele período de crise de credibilidade. Marina preferiu, quando resolveu falar (com atraso), defender Feliciano de um certo preconceito contra os evangélicos. O estrago estava feito: Marina era antipática, como Dilma, à esquerda e à direita.

Mas o tranco político parece ter feito com que Marina pensasse com mais clareza, e resolvesse influenciar diretamente o resultado das eleições, aliando-se, de surpresa, a Campos. Dessa vez sim Marina bombardeou o noticiário com uma novidade. Na candidatura a vice, a rejeição à própria Marina pode ser pilotada sob menos pressão, para uma boa transferência de votos. E vem demonstrando que sua leitura afinal estava certa: é para Eduardo Campos que essa avenida eleitoral começa a se abrir.

Num movimento absolutamente inusitado, Campos decidiu na semana passada fazer a campanha sem marqueteiro. Chega a ser espantoso, para um candidato central e num momento promissor. Pensei até que poderia ser um factóide (notícia irrelevante, usada para chamar a atenção), e que haveria sim um marqueteiro disfarçado. Mas até agora nem gerou muito comentário.

Pode ser mesmo uma escolha pela política, e contra a atitude de campanha baseada na publicidade despolitizada que domina nossos candidatos há um bom tempo, e gera essa sensação de falsidade e esquizofrenia. Uma escolha sintomaticamente boa, e uma demonstração de segurança. Às custas de Dilma – que afinal fez um governo muito menos “fêmeo” (no sentido da boa intuição) que o barbudo Lula.

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Leia o texto na íntegra no Blog do Alex Antunes

DESMILITARIZAÇÃO: Garotinhos, Crivellas, Pezões e Lindberghs são iguais?


Eu faço diariamente a crítica a esta democracia dos ricos e estou cotidianamente na luta para derrotá-la. É por isto mesmo que diante da enorme grandeza do desafio de tirar as máfias e suas milícias do coração do governo do Rio é que me vejo na obrigação de dizer que não são todos iguais.

Conheci Lindberg ainda nos meus primeiros passos no movimento estudantil. Eu uma liderança secundarista, ele jovem deputado. Seu gabinete era casa das lutas populares no auge da privataria. Lindbergh teve papel de destaque na resistência ao desmonte do Estado e nas lutas sociais responsáveis pela construção da correlação de forças que permitiu a eleição de Lula.

Reencontrei Lindbergh já prefeito de Nova Iguaçu. Um time do que há de melhor nos aceleradores de mudanças chegou na Baixada e enquanto o índice de crimes só aumentava, Nova Iguaçu teve uma importante redução do assassinato de jovens e foi capaz de organizar projetos para colocá-la como a 3.a cidade do país em volume de recursos do PAC. Unindo inteligencia às demanda sociais foi possível acelerar DIREITOS e ter PARTICIPAÇÃO como nunca antes na história da Baixada Fluminense.

Dizer que entre estes que aí estão não há diferença é ajudar na sabotagem do Rio. Lindbergh está há anos no cenário da política institucional o que conduz qualquer ser humano ao erro e também ele os tem em sua trajetória política, basta lembrar que se elegeu ao Senado na chapa de Sérgio Cabral. Mas não buscamos heróis nem santos.
 

Nele há uma liderança surgida da luta popular e do campo mais democrático dentro do panorama de máfias do sistema político estabelecido. Por isso é impossível negar que as portas do Palácio estarão muito mais abertas ao desejo dos mais pobres e à luta por mudanças que com qualquer dos seus adversários.

Lindbergh corajosamente apresentou ainda ao Senado o projeto da PEC 51, é portanto a única garantia de uma mudança radical na segurança pública. É também a única candidatura com chances reais de derrotar e expulsar uma máfia encastelada no Palácio da Guanabara usando a máquina pública em aliança com as milícias e contra os movimentos sociais. Vencer o terrorismo de estado é urgente!

via Alô Senado


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Texto de Ricardo Targino

terça-feira, 29 de abril de 2014

#SomosTodosMacacos endossa o Genocidio Negro, Sérgio Cabral, Fifa e o Capeta!


Então você acha que qualquer movimento positivo é válido e que postando a hashtag #somostodosmacacos vai contribuir para a diminuição dos índices de racismo? Senta aqui!


Quem lhe inspirou a aderir a causa? Luciano Huck? A mulher do Luciano Huck? Cantores que frequentam o Huck e fazem propaganda de tv a cabo? Atletas que frequentam o Huck e fazem propaganda pras teles? Um agenciamento de estrelas super espontâneo e consciente, uma organicidade viral tão bem encenada como o bate-papo teletubbies da presidenta Dilma com Neymar e Claro Ronaldo.

No domingo #somostodosmacacos já era um sucesso, contagiando uma legião de audiência certa; Na segunda Luciano Huck põe a venda camisetas da hashtag em seu site sem modelos negros, e a agência publicitária Loducca e o "estafe de Neymar" também se adiantam em reconhecer a paternidade e explicar o conceito maroto:

"Como quando somos crianças e sofremos com um apelido. Se você se incomodar muito ele com certeza vai pegar. Por isso a nossa ideia era de não fugir da briga, de encarar a polêmica e engolir o problema."

e entram numa festividade de hashtags #Cansei de #NãoVaiTerCopa misturado com Marcha da Família com Deus e Salve Jorge:

"Meu Brasil brasileiro, verde, amarelo, preto, branco e vermelho. Somos um povo alegre com samba no pé e é com alegria e ousadia que a gente tem que se manifestar. Olha a banana, olha o bananeiro… Sou baiano, sou brasileiro… Estamos mais fortes do que nunca, o sorriso é a nossa proteção, a musica é a nossa espada… Nos vemos na Copa… Estamos juntos! #deusnocomando #somostodosmacacos #danidobrasil #amadajuazeiro.



Uma coisa do tipo "engole o choro", "não vamos falar profundamente sobre isso que desaparece", "Não somos assassinados diariamente, não sofremos preconceito diariamente, não temos o estigma da palavra macaco, mas somos todos macacos, vamos repetir a exaustão", "bota pra debaixo do tapete e vença pelos seus méritos, pois somos todos iguais e diferenciar é que é racismo", "Vamos levar no folclore e na esportiva:, "Não existe racismo no Brasil, só lá fora.", e tal.

Cada vez que um comentário desses fosse feito, este panfleto podia voar de jatos, helicopteros e discos-voadores na cabeça dos anti-cotas festivos:



Bullying não é frescura. Cotas não é privilégio. É retratação pública. Ditadura não é enredo de escola de samba, é história que ainda teima em ser contradita e repetida. Não devemos nos calar, devemos falar em voz alta, e construir sepulturas simbólicas que formatem nossos HDs de respeito ao próximo, assim como fez a Alemanha, demolindo e/ou ressignificando resquícios da vergonha nazista, e semelhante
às iniciativas brasileiras para modificar logradouros que homenageiem torturadores da ditadura militar.


A mesma família-de-bem que cozinha e faz selfies nas emocionantes tardes de sábado da Rede Globo, jantam e fazem negócios com a família Cabral. A mesma advogada que defende as chicotadas da SuperVia, também defende a invasão da área ambiental do cliente Luciano Huck. Mas é a favela que tem que sair do morro com gás de pimenta na cara de bebês e idosos, para que o David Beckham possa especular sua jacuzzi. Se não sai por bem, sai no fogo. A Guerra da Praia do Pinto, na Lagoa Rodrigo de Freitas, nunca terminou. Como podem retirar correntes que eles mesmo colocam lá?


Amarildos, Cláudias Ferreira, Dançarinos Douglas e tantos outros que sempre foram justificados como bandidos e vagabundos em salvo-condutos-como-quem-troca-de-cuecas, enquanto a "nova classe média" entrava no mercado consumidor de smartphones e registrava tudo. Surpreendentemente se articularam e desceram pra mostrar essa denuncia para todos. O morro desceu organicamente, sem cachê nem capitalização.



"As denúncias de abusos e mortes indiscriminadas de civis que nada têm a ver com os grupos de traficantes acontecem semanalmente ao mesmo tempo em que o Governo do Estado do Rio apunhala as favelas com mais conflitos com mais efetivos e operações de caça e a captura de criminosas."
(via El Pais)



Se diante das vísceras de cidadãos negros, que assistimos diariamente pelos 10% mínimos de internet que contratamos, a Presidenta tem a cara-de-pau de comemorar o "sucesso" das UPPs e investir mais dinheiro em tropas que vão matar ainda mais cidadãos, por que o príncipe dos coxinhas não se apropriaria de uma "causa-de-bem" em prol da venda de camisetas e combate aos vira-latas que querem estragar a festa da Copa do Mundo da Fifa. Tinham que ter reclamado antes, agora que o legado da Copa é negativo só lhes resta "ENGOLIR".. Criemos logo um bordão raso ao estilo zorra-total e vendamos camisetas, figurinhas e um combo com pelúcias do fuleco.

 

Ao mesmo tempo que comemoram o anúncio de Bolsonaro à Presidência da República, os servos do senhor das trevas sensualizam com a banana fazendo expressões semelhantes aos mesmos gringos que ironizaram e fazem chacota arremessando bananas. Véi, na boa!

 
NÃO SE CALE! NÃO ENGULA!

Movimento Negro não é brinquedo!

S.O.S. POLÍTICAS AFIRMATIVAS!

SALVE A FAVELA!!!